Algumas formas de discriminação são bem reconhecidas como tal. São os preconceitos mais famosos, que quando manifestados por alguém são rapidamente identificados e condenados por outros, e mesmo os preconceituosos sabem os problemas que vão ter se afirmarem publicamente seu preconceito. Este costuma ser o caso (nas sociedades ocidentais atuais) de discriminação de sexo, raça, orientação sexual, religião, classe econômica e geografia (país / região / bairro de origem da pessoa).
Mas o primeiro assunto deste texto é o problema adicional nos casos das discriminações pouco reconhecidas. Nestas, além dos problemas bem conhecidos dos preconceitos famosos, a discriminação pode ser mais perversa porque muitos podem não perceber que se trata de preconceito, e com isso o praticar de forma inocente, ou achar normal quando outros o fazem. O preconceito age livre, sem ser questionado ou escondido.
Quais seriam estes preconceitos tão comuns que passam desapercebidos? Dois exemplos que têm aparecido bastante no Brasil:
- Preconceito lingüístico: Trazido à tona pela discussão em torno do livro “Por uma vida melhor“, distribuído pelo MEC, se trata de discriminar quem usa algo que não seja a “norma culta” da língua.
- O que vou chamar de “preconceito de diploma”, na falta de um termo específico usual: se trata da discriminação contra quem não tem alguma forma específica de educação.
Eu vou me concentrar aqui no preconceito de diploma. Eu já vi muitas manifestações diferentes dele. Para citar algumas:
- As intermináveis críticas ao ex-presidente Lula. Estas vêm desde muito antes de ele ser eleito, duraram todo o mandato, e continuam ainda hoje. Aparentemente são facilmente ignorados os fatos de ele ter conseguido realizar muito (ser eleito, para citar um), ter feito um governo excepcionalmente bom, e que quando fala espontaneamente (sem discurso pronto) é excepcionalmente claro, crítico e não evasivo.
- Pesquisadores e professores que acham que quem não tem doutorado é incompetente, ignorante, irresponsável, etc. Em muitos casos, observei que o tratamento instantaneamente muda quando o aluno defende a tese. O mais estranho é que estes que estão discriminando são doutores, e por isso provavelmente já sofreram deste preconceito quando alunos.
- Advogados e médicos que demandam tratamento especial, exigindo ainda serem chamados de doutor. Já estão usando o preconceito para afirmar que um doutor tem mais valor, e ainda, eles nem são doutores (Doutor é quem faz Doutorado).
- A PEC-386/2009, que, se eu entendi direito (não li a justificativa inteira e suas muitas referências e pareceres para ter certeza; a emenda em si é apenas um pedaço de uma frase), parece propor que o diploma de jornalismo seja obrigatório para os jornalistas. Espero que eu esteja errado. O consultar, aliás, me levou a notar algo bizarro na Constituição de 1988: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.” (Art 5°, iV).
- Prisão especial para quem tem nível superior. Mas a última notícia que tenho é que o PL-4208/2001 que inclui o fim dela foi aprovado pela CCJ em 1 de junho de 2010.
A característica comum é assumir que a falta de educação formal faz de uma pessoa incapaz de tomar decisões razoáveis (em particular em cargos de poder, sejam políticos, particulares ou públicos), ou incapaz de ter argumentos corretos. Em outras palavras, se trata de achar que falta de educação formal implica em um ou mais dos atributos: ignorância, incompetência, falta de inteligência. É importante notar que estes atributos não são sinônimos, e também que inteligência não é unidimensional; discutir a distinção não é o assunto aqui, então vou agrupar todos estes como “capacidade intelectual”.
Alguns leitores, neste ponto podem estar questionando: então eu estou dizendo que educação formal é irrelevante, ou desnecessária? Estou negando que haja uma correlação entre educação formal e capacidade intelectual?
Não. Não tenho as fontes que demonstrem isso, vou apenas ficar com a fraca posição de assumir, por parecer provável e que todos vão concordar, que
- Educação formal é correlacionada (positivamente) com capacidade intelectual: especificamente, a afirmação testável é que em geral as pessoas de maior capacidade têm níveis mais altos de educação.
- Educação formal ajuda a aumentar a capacidade intelectual: a afirmação testável é que se a capacidade das pessoas for medida antes e depois de passarem por formas comuns de educação formal, em geral, ela terá aumentado.
- Para algumas atividades, é necessário confiança de que a pessoa tem um grande conjunto de conhecimentos específicos. Nestes casos, a educação formal é uma forma de saber que ela foi testada nestes conhecimentos. Para dar o exemplo mais óbvio: médicos. Não seria prático tentar aplicar o enorme número de testes necessário para estabelecer que um pretendente a médico sem a faculdade tem todos os muitos conhecimentos necessários.
Então como eu posso dizer que é preconceito assumir que quem não tem educação formal é menos capaz?
Primeiro, o argumento da estatística: Mesmo que (1) e (2) acima sejam solidamente demonstrados, estes só indicam características estatísticas. Ou seja, indicam que tomando aleatoriamente uma pessoa de um grupo de alta educação formal e uma pessoa tirada aleatoriamente de um grupo de baixa educação formal, a probabilidade maior é que a de maior educação formal seja a de maior capacidade. Mas isso só se refere a probabilidades em escolhas aleatórias. Isso nada diz sobre uma pessoa específica retirada de um grupo ou de outro. Assumir que uma pessoa de baixa educação formal tem baixa capacidade, apenas por saber ter pouca educação formal, é o erro: é preconceito, e é um exemplo da falácia ecológica. Dito de outra forma: se trata de achar que todo um grupo é igual à sua média, esquecendo que há variação entre os indivíduos do grupo. Em alguns casos, é também uma forma da falácia do argumento de autoridade: usa-se a falta de autoridade (credenciais) de uma pessoa para invalidar os argumentos dela.
Por que eu destaquei aleatoriamente, acima? Porque há outro ponto relevante: muitas vezes a seleção do indivíduo dentro do grupo tem viés, tornando a suposição de menor capacidade ainda mais inválida. Em muitas situações já seria esperado que a pessoa sendo julgada não seja representativa do grupo, tenha sido selecionada justamente por ser um dos membros mais capazes dentro daquele grupo. É o caso em particular na política: aquela pessoa tende a ser justamente um elemento do grupo com uma excepcional capacidade de argumentar, se expressar e negociar, e por isso chegou a se tornar um candidato ou representante.
Segundo, com relação a (3) acima: nem tudo com relação a capacidade intelectual é possuir conhecimento específico. Para algumas profissões, especialmente as técnicas e que envolvem riscos a outras pessoas, como medicina e engenharia, há um conjunto de conhecimentos necessários, e que pode ser testado. Mas outras usam aspectos da capacidade intelectual que não são simplesmente lembrar de conhecimento adquirido, e que não têm como ser testados de forma prática: que prova mede se uma pessoa tem boa capacidade de tomar decisões?
Os primeiros dois argumentos foram teóricos. O terceiro é empírico: exemplos de pessoas que contrariam a correlação geral entre educação formal e capacidade intelectual:
- A quem pode observar sem viés (o que muitas vezes significa observar o original, não citações alteradas ou enganosas), deve ser fácil notar as várias evidências da alta capacidade do Lula.
- De forma conversa a (1), procure o seu político ruim preferido, e verifique o nível de educação dele. Deve ser fácil encontrar políticos que você considera incompetentes e que têm diploma. Por exemplo, do listado neste estudo sobre os eleitos para deputado federal em 2006, as 3 profissões não vagas o suficiente para ter certeza que exigem diploma (advogado, engenheiro e médico) somam 21.5% (a profissão dominante, com 46.8% é a mais vaga: “político”).
- Eu conheço pessoalmente muitos exemplos de imbecis com diplomas de todos os níveis (incluindo doutorado). Não posso os citar nominalmente, mas você deve conhecer também (principalmente se você faz ou já fez doutorado). Além disso, sempre que vir notícia de juiz, médico ou engenheiro fazendo coisas péssimas em sua profissão terá outro exemplo. O mesmo com os muitos jornalistas que são formados em jornalismo (aliás, um dos cursos tradicionalmente mais disputados em vestibulares).
- Para citar um alguém publicamente conhecido que provavelmente você vai concordar ser, pelo menos, pouco capaz: George W. Bush tem graduação em história de Yale, e é o único presidente americano com MBA (de Harvard). Yale e Harvard são duas das mais prestigiosas (e difíceis de entrar e pagar) universidades americanas.
Resumindo: o preconceito de diploma é um exemplo de preconceito não reconhecido, porque é comum que as pessoas achem que ele é na verdade um “pós-conceito”: uma conclusão baseada em fatos. O que o torna pior, pois a discriminação (seja inocente, porque a pessoa de fato acredita ser uma conclusão válida, ou apenas uma racionalização, usada para atacar de quem não se gosta, por outro motivo) consegue passar sem ser contestada. Hoje (em geral) não cola mais dizer que alguém é incapaz por ser negro, mulher, homossexual, pobre, etc. Mas ainda cola dizer que é incapaz por não ter diploma.
Então vou passar ao segundo assunto do texto, que torna o preconceito de diploma ainda pior: a forma como as pessoas percebem a capacidade intelectual, sua e de outros.
Vários artigos documentaram o efeito Dunning-Kruger. No artigo original, os autores comparam as notas que as pessoas tiram em testes de algumas habilidades intelectuais específicas com a avaliação delas (absoluta e relativa ao outros) sobre o quão bem foram nos testes. Como é fácil notar pelas figuras do artigo, eles concluem que:
- A média das auto-avaliações tende a ser acima de 50%: em média as pessoas se acham acima da média.
- As pessoas com as notas mais baixas são as que mais erram em se auto avaliar: se acham muito melhores do que são.
- As pessoas com as notas mais altas são as mais acuradas na sua auto avaliação, mas erram sistematicamente, se subestimando.
As conclusões mais interessantes e relevantes são (2) e (3), que se devem a motivos diferentes:
As pessoas mais incompetentes erram na sua avaliação porque a mesma habilidade necessária para ir bem na tarefa é necessária para distinguir competência de incompetência na tarefa. Ou seja, os incompetentes não sabem que são incompetentes.
Já as pessoas mais competentes, pelo motivo acima, acertam melhor em avaliar em uma escala absoluta o quão bem foram. Mas erram se subestimando em uma escala relativa, porque tendem a assumir que foram bem porque o teste não era muito difícil: acham que muitas pessoas se saíram tão bem quanto eles.
É sumarizado no artigo seguinte, com uma citação de Bertrand Russel: “One of the painful things about our time is that those who feel certainty are stupid, and those with any imagination and understanding are filled with doubt and indecision“.
Parte do motivo (especulação minha, isso não foi testado nem apresentado nestes artigos), também pode ser que o aprendizado (não necessariamente formal) exponha as pessoas às complexidades dos problemas, mostrando a elas que é fácil errar. E aprender é beneficiado por questionar e ter auto-crítica, o que faria as pessoas mais capazes terem uma tendência à incerteza.
O resultado disso com relação ao preconceito de diploma é que fica mais fácil a pessoas menos capazes com diploma não perceber o preconceito e subestimar (ou atacar) as pessoas capazes sem diploma. Além de ficar mais fácil não perceber o preconceito, os menos capazes têm a tendência de se superestimar e ter mais certeza. De forma complementar, os mais capazes têm uma tendência a se subestimar, e têm menos certeza, facilitando que acreditem em quem lhes diz ser menos capaz.
Enquanto não se reconhece este preconceito, fica fácil o usar para atacar alguém (inocentemente ou maliciosamente), usando uma estratégia comum:
- A pessoa F tem a intenção de atacar a pessoa G, por qualquer motivo (inclusive para se fazer parecer superior). Escolhe atacar o atributo H (ex: inteligência) da pessoa G, mesmo que ela nem ache de verdade que a pessoa é deficiente em H.
- A pessoa F nota que há um fato indisputado I (ex: falta de educação formal) sobre a pessoa G que pode ser associado à crítica que se quer fazer. A associação entre H e I pode ser válida ou não; só o que importa é que em geral se acredite nela.
- A pessoa F usa o I como evidência da acusação sobre o atributo H.
- Como muitos acreditam que H e I são associados, acreditam na acusação. Inclusive o próprio acusado pode acreditar.
Já se for bem conhecido que a associação entre H e I é inválida (ou só não se aplica no caso), o argumento não vai colar. O que era a motivação inicial de escrever este texto.
Para dar outros exemplos de como a estrutura de ataque acima é usada em outros contextos:
- O atributo H é, novamente, a competência da pessoa G. O fato indisputado I é que G foi reprovado em um teste. F usa este fato para convencer os outros da sua afirmação de que G é incompetente. E até G pode acreditar. Mas a associação pode ser falsa: testes não são instrumentos perfeitos para medir capacidade. E o teste pode nem ter sido da mesma habilidade sobre a qual se está criticando a pessoa.
- O atributo H é a aparência física da pessoa G. O fato indisputado I é que a pessoa G acabou de acordar. F usa este fato para convencer os outros da sua afirmação de que G está com uma aparência ruim. E até G pode acreditar. Mas a associação pode ser falsa: F pode inclusive ter decidido usar esta munição antes mesmo de ver qual era a aparência de G.
Finalmente, o último ponto específico de preconceitos sobre a capacidade intelectual de pessoas: Vários estudos encontraram que quando as pessoas acreditam que há um motivo para terem dificuldade em uma área, tendem a se subavaliar, ou até ter resultados piores, independente de sua capacidade. Citando de outro artigo em que está o Dunning:
How Chronic Self-Views Influence (and Potentially Mislead) Estimates of Performance
An important source of people’s perceptions of their performance, and potential errors in those perceptions, are chronic views people hold regarding their abilities. In support of this observation, manipulating people’s general views of their ability, or altering which view seemed most relevant to a task, changed performance estimates independently of any impact on actual performance. A final study extended this analysis to why women disproportionately avoid careers in science. Women performed equally to men on a science quiz, yet underestimated their performance because they thought less of their general scientific reasoning ability than did men. They, consequently, were more likely to refuse to enter a science competition.
Resultado semelhante ao deste artigo, baseado em uma tese de doutorado:
Stereotype Threat and Women’s Math Performance
When women perform math, unlike men, they risk being judged by the negative stereotype that women have weaker math ability. We call this predicament stereotype threat and hypothesize that the apprehension it causes may disrupt women’s math performance. In Study 1 we demonstrated that the pattern observed in the literature that women underperform on difficult (but not easy) math tests was observed among a highly selected sample of men and women. In Study 2 we demonstrated that this difference in performance could be eliminated when we lowered stereotype threat by describing the test as not producing gender differences. However, when the test was described as producing gender differences and stereotype threat was high, women performed substantially worse than equally qualified men did. A third experiment replicated this finding with a less highly selected population and explored the mediation of the effect. The implication that stereotype threat may underlie gender differences in advanced math performance, even those that have been attributed to genetically rooted sex differences, is discussed.
Este, e outros mencionados no relatório Why So Few? Women in Science, Technology, Engineering, and Mathematics, mencionam o efeito de uma forma pouco reconhecida de um dos preconceitos melhor reconhecidos: sexismo:
A large body of experimental research has found that negative stereotypes affect women’s and girls’ performance and aspirations in math and science through a phenomenon called “stereotype threat.” Even female students who strongly identify with math – who think that they are good at math and being good in math is important to them – are susceptible to its effects (Nguyen & Ryan, 2008). Stereotype threat may help explain the discrepancy between female students’ higher grades in math and science and their lower performance on high-stakes tests in these subjects, such as the SAT-math (SAT-M) and AP calculus exam.
Foi também capa de uma Unesp Ciência recente. Dá para especular que o mesmo problema de ameaça do estereótipo ocorra com o preconceito de diploma.
Resumindo: pessoas capazes sem diploma podem ser mais susceptíveis a serem subavaliadas, por outros e por elas mesmas, enquanto não for amplamente notado que uma correlação em populações apenas informa a distribuição de probabilidade para as características de um indivíduo escolhido sem viés (e muitas vezes a escolha não é sem viés). Mas isso não diz como é um indivíduo específico. Assim como não se sabe onde vai estar um elétron, ou qual vai ser o resultado de um dado; só se sabe, no máximo, a distribuição de probabilidade.
Por poder haver alguma indicação pelas probabilidades de população é que pode ser tão difícil identificar o preconceito em muitas áreas. Por isso é necessário constante cuidado e auto-crítica.
Notas:
- O artigo original de Dunning e Kruger deu a eles o Ig Nobel de 2000.
- Este artigo indica que em alguns testes o efeito Dunning-Kruger não é observado: Skilled or unskilled, but still unaware of it: How perceptions of difficulty drive miscalibration in relative comparisons. Mas o artigo original já indicava que não é algo que deve ser encontrado em qualquer tipo de problema. O segundo artigo que inclui Dunning e Kruger entre os autores (citado acima), posterior, menciona este, e diz que ainda encontra resultados consistentes com o original. Neste último artigo há várias outras referências relevantes, mas não dá para eu ler todas agora.
- Alguns dos exemplos de preconceitos foram escolhidos, em parte, porque eu já os tive: contra o “Por uma vida melhor”, e contra o Lula.
Qual é a economia da econômica?
Qual seria o efeito da separação de classes em aviões? Cada um paga proporcionalmente pelo custo que gera? As pessoas são comprimidas na classe econômica para dar lugar aos ricos na executiva e na primeira classe? Ou os preços cobrados nas classes de luxo tornam mais baratas as passagens na econômica?
Mais especificamente, a minha pergunta é: se os aviões fossem preenchidos apenas com a classe econômica, ocupando o mesmo espaço por assento que usado hoje (portanto, com mais passageiros por vôo), qual seria a diferença no preço das passagens?
Só as companhias aéreas sabem mesmo a resposta, porque preços de passagens têm grande variação temporal e espacial: para uma mesma classe, em um mesmo vôo, os preços podem ser muito diferentes para passagens compradas em sites diferentes, ou para datas diferentes (mesmo que vizinhas), ou simplesmente compradas em dias diferentes (também mesmo em dias vizinhos, e, ao contrário do que muitos esperam, variando não montonicamente com o tempo). Por isso só as companhias sabem quanto recebem por cada vôo. Além disso, só elas sabem quanto gastam em cada vôo. Provavelmente nem elas sabem antecipadamente os números (não só por não saberem qual vai ser a ocupação ou o preço do combustível: porque usam software com regras complicadas para decidir a que preço vender as passagens, de acordo com o que acontece, incluindo que conexões o passageiro vai fazer).
Mas dá para fazer algumas estimativas aproximadas. Escolhi como caso para analisar um avião relativamente grande (mas não dos maiores) comumente usado em vôos intercontinentais (para ter as 3 classes), de uma companhia típica: um Boeing 777-200ER como usado pela AA. Os dados vieram do mapa de assentos da AA, ou da Wikipedia.
Primeiro, sobre o custo:
- Há muitos custos fixos por vôo, que independem do número de passageiros (ou dependem fracamente, com pouca variação entre um vôo com, por exemplo 330 passageiros só na econômica, ou 247 divididos entre as 3 classes): tripulação, taxas de aeroportos, manutenção, custos de operação.
- O combustível aumenta com o número de passageiros, por aumentar o peso: estimando que um passageiro médio represente ~100 kg, somando passageiro, malas e poltrona (a poltrona sendo leve o suficiente, provavelmente 5-20 kg, para ser pouco relevante a diferença entre classes, dada a variabilidade do peso de passageiros+malas), 83 passageiros de diferença seriam 8.3 ton, pouco em um avião que pode decolar com até 298 ton, e tem vazio 138 ton.
Então vou assumir que o custo deste avião voar cheio com as 3 classes (194 + 37 + 16 passageiros) é aproximadamente o mesmo que se fosse cheio só com econômica (330 passageiros, estimado abaixo).
É então necessário determinar, em média, quanto espaço é ocupado por um lugar em cada classe, para comparar com o preço da passagem.
Esta imagem mostra a configuração de lugares para o Boeing 777-200ER da AA:
Os polígonos coloridos são o que ajustei como medida da área ocupada pelos assentos, para as 3 classes. Inclui a área das poltronas e corredores, mas não inclui cozinhas, banheiros e armários. Dividindo estas áreas pelo número de assentos em cada classe, a área relativa (à área total) de cada lugar é 3.03% para a econômica, 6.02% para a executiva, e 11.8% para a primeira. O que significa que só com econômica haveria 330 passageiros, no lugar dos 247 (194 + 37 + 16).
Os números de mais interesse aqui são que cada lugar na executiva ocupa o espaço de 2 lugares na econômica, e cada lugar na primeira classe ocupa o espaço de 4 lugares na econômica.
Agora a questão é a razão de preços. Como mencionado acima, preços são muito variáveis e difíceis de estimar. Sem ter acesso aos dados internos, ou mesmo os publicados pela ATPCO, o melhor que posso fazer é procurar quais são preços típicos, para algumas semanas no futuro, no site da companhia.
Para vários dias daqui a 5 semanas, em um trecho feito com este avião (MIA-GRU), os preços mais baratos no site da AA são $463 para econômica, $2196 para executiva, e $5568 para primeira. Este é um trecho citado pela companhia como 8.25 h de vôo, para 4072 mi (o que concorda com uma medida aproximada que fiz). Portanto, um lugar na executiva é vendido por 4.7 vezes o preço da econômica, e um da primeira classe custa 12 vezes o preço da econômica. O que indica que eles subsidiam os preços da econômica: se houvesse apenas a econômica, para somar os mesmos $260 mil com 330 lugares, o preço por lugar seria $788, 1.7 vezes o preço que encontrei.
Em outro trecho semelhante, ORD-LHR (3945 mi, 7.75 h), os preços são $317, $1938 e $8798: a executiva custa 6 vezes o preço da econômica, e a primeira classe 28 (!) vezes o preço da econômica. Seria por haver mais gente rica em Chicago e Londres do que em Miami e SP? Neste caso, as passagens somariam $274 mil, que divididos por 330 lugares seriam $830, 2.6 vezes mais caro que o preço da econômica.
São poucos números, aproximados, e que ainda não consideram quanto pode haver de fluxo de dinheiro entre vôos: uma rota mais cara pode subsidiar uma mais barata. Mas sugerem que em geral os preços da executiva e da primeira classe são mais altos que apenas a proporção maior de espaço que ocupam os lugares, então eles subsidiam as passagens da classe econômica.
Muitas notícias promissoras em medicina
Eu notei que recentemente parecem estar mais freqüentes as notícias significativamente promissoras em medicina que tenho visto. Talvez eu só esteja percebendo melhor.
Várias usam células-tronco ou outras formas de fazer crescer a célula de interesse. Sem uma ordem específica, agrupando por assunto:
- Reprogrammed cells repair damaged livers: Da Nature desta semana (11 de maio de 2011). Os autores reprogramam, por transdiferenciação, células da cauda de camundongos para reparar danos no fígado. Aparentemente as células do fígado são mais difíceis de gerar por este processo, já usado para outros tipos de células, por terem muitas funções, exigindo ativar mais genes diferentes. O artigo completo é Induction of functional hepatocyte-like cells from mouse fibroblasts by defined factors. Citando os autores: “Our study provides a novel strategy to generate functional hepatocyte-like cells for the purpose of liver engineering and regenerative medicine.“
- In Vivo Liver Regeneration Potential of Human Induced Pluripotent Stem Cells from Diverse Origins: Concorrentes do (1) acima, os autores deste artigo publicado na Science no mesmo dia usaram células-tronco humanas para recuperar o fígado de camundongos com cirrose: “Our results demonstrate the engraftment and liver regenerative capabilities of human iPSC-derived multistage hepatic cells in vivo and suggest that human iPSCs of distinct origins and regardless of their parental epigenetic memory can efficiently differentiate along the hepatic lineage.”
- Regenerative medicine: DIY eye: Da Nature da semana passada (7 de maio de 2011), este é o que mais me impressionou, não só pelo resultado específico, já muito excepcional (gerar uma retina a partir de céluas-tronco), mas também pelo resultado fundamental sobre o desenvolvimento de estruturas. Explicando melhor: a retina não é uma estrutura simples como, por exemplo, fígado, rins, pulmão ou coração. A estruturação detalhada dos vários tipos diferentes de células é essencial para que funcione. É o mesmo com relação a ter algo funcional a partir de um monte de neurônios, ou um monte de transistores: a estrutura microscópica, ao nível da ligação entre cada unidade, é fundamental. O prolema comum não é só coincidência: parte da retina é formada por neurônios. Só terem conseguido isso já é de muita importância. Mais promissor ainda é como foi feito: a organização veio das próprias células, aparentemente pelo efeito da vizinhança. Como as células sabem em que lugar estão em uma estrutura, e como se organizar, é um dos principais problemas no estudo do desenvolvimento embrionário. Uma idéia era que haveria uma orientação externa, por um sistema de coordenadas dado por gradientes químicos. Mas este estudo indica que a estrutura pode vir diretamente das células. Estas aliás, não foram cultivadas em seres vivos: estavam em um meio de cultura. Por isso o título de outra matéria da mesma edição: Stem cells make ‘retina in a dish’. Já o artigo original é Self-organizing optic-cup morphogenesis in three-dimensional culture.
- Da Nature desta semana (11 de maio de 2011), o título já diz muito: Profound early control of highly pathogenic SIV by an effector memory T-cell vaccine. SIV é o vírus da imunodeficiência símia, de onde veio o HIV (estimado entre o final do século XIX e início do século XX). Com o uso de vetores de um outro vírus, a vacina desenvolvida resultou em proteção de longo período (≥ 1 ano) em 12 dos 13 animais testados.
- A Science de 13 de maio de 2011 já fala em mais do que vacinas para AIDS: The Emerging Race to Cure HIV Infections, que cita o que parece ser o primeiro caso conhecido de alguém curado da AIDS: “Brown’s case showed for the first time that it is possible to rid the body of the virus—even from the minuscule reservoirs where the virus can hide out for years, evading both the immune system and antiretroviral drugs (ARVs)”
- Também da Nature desta semana (12 de maio de 2011), embora tenha sido publicado online no mês passado: Modelling schizophrenia using human induced pluripotent stem cells. É menos imediato em termos de resultados para tratamento, mas mostra uma técnica promissora por permitir fazer cópias dos neurônios de pacientes, que podem ser estudados vivos.
- Já do New England Journal of Medicine de 12 de maio de 2011: Evidence for Human Lung Stem Cells: Depois de identificadas células-tronco em pulmões humanos, “After injection into damaged mouse lung in vivo, human lung stem cells form human bronchioles, alveoli, and pulmonary vessels integrated structurally and functionally with the damaged organ.”
Já melhorando os prospectos para o futuro, duas notícias políticas:
- US stem-cell funding ban overturned
- NIH spared budget slash: “the agency’s funds have been cut by US$260 million, less than 1% of its $31-billion spending plan, rather than by the $1.6 billion sought by Republicans (…) The 2012 budget will be the next fight: FASEB is advocating that the NIH increase spending to $35 billion.”.
When good software saves the day
Last Saturday, it came to my attention that the recurrent nova T Pyx had been seen to be getting brighter in the previous few days, indicating its first eruption since the one in 1966. From the notice on the AAVSO website:
“T Pyx is only one of ten known recurrent novae (RNe) in our own Milky Way galaxy. It has erupted in 1890, 1902, 1920, 1944, and 1967. (T Pyx has a long eruption, lasting at least 3/4 of a year, and it has been very heavily monitored every year since before the 1890 eruption, so we certainly are not missing any eruptions in this time interval.) T Pyx is the only recurrent nova with a shell (out to ~10″ diameter), and this was seen to slowly expand from a normal (non-RN) eruption in 1866±5. SInce 1890, the quiescent magnitude of T Pyx has secularly faded from B = 13.8 mag to B = 15.7 mag from 1890 to 2010. This fading implies that the accretion rate has been falling off rapidly, explaining the lengthening inter-eruption time intervals. Judging from the 1967 eruption light curve, the current eruption light curve will stall out of its rise at around V=8 around 15 April, slowly rise to a peak near V=6.4 around 20 May, slowly fade to V=10 by middle August, then have a sudden drop by two magnitudes over the next 20 days (with drop being invisible due to the Sun). The 1967 eruption did show fast intra-night variations, but the old data does not have the time resolution to tell what is going on.
A suddenly bright, rare and unpredictable event, in the southern hemisphere, with transit conveniently at ~19:32 is a very good target for the campus observatory, even through the sky of São Paulo, with a small (14″) telescope.
I was also informed that there had been some problems with the CCD the previous night. So I went there, and eventually we solved the communication issues between the CCD and the computer. Which led to find out that the computer also could not talk to the telescope. Trying with another computer and different software gave no improvement, until eventually they started talking again, for no apparent reason other than possibly a bad cable.
With clouds still everywhere, there was time for flatfield images. After some 10 seconds on, the lamp burn out. When the clouds eventually started giving a break, we could rebuild the telescope’s pointing model (it had recently been completely reset), and get a good focus. So now it would be easy, just making a few images of T Pyx.
It would be, if we could know where it was. Using every chart and software I could find at the time (most softwares had catalogs too incomplete, for a field devoid of bright stars), including AAVSO’s charts and Aladin, we could not identify the field. After some hours trying, we gave up, with only the images of where the telescope went to, and some surrounding fields.
That is when I decided to try to identify the field in the images we made using Astrometry.net. I had heard of it, but had never tried it before. From its front page:
If you have astronomical imaging of the sky with celestial coordinates you do not know—or do not trust—then Astrometry.net is for you. Input an image and we’ll give you back astrometric calibration meta-data, plus lists of known objects falling inside the field of view.
We have built this astrometric calibration service to create correct, standards-compliant astrometric meta-data for every useful astronomical image ever taken, past and future, in any state of archival disarray. We hope this will help organize, annotate and make searchable all the world’s astronomical information.
It works very well. Just given the image, without any other piece of information, without any setup or non-default parameters other than telling it to use SExtractor to identify the stars, after a few seconds it was able to identify the images.
So now I get to the main point of the story: how does such a system work? It certainly is not by having a whole sky catalog and going through all of it, comparing the positions of the stars in the image to those in the catalog: In this particular case, the images were 24×16 arcmin, so about 400 thousand times smaller than the whole sky. Directly searching would take too long, and also take longer for those regions which happen to come late in the catalog. It would be like searching for zinc in a dictionary, going word by word, in order, starting from A.
So what Astrometry.net does is, basically, what somebody does when using a paper dictionary: find out in what region (the letter Z) the target (zinc) would be, and go straight to it. This is a well known class of problem in computer science: making an associative array, sometimes also called a map, dictionary, hash or hashtable (though, more precisely, a hash is an algorithm that is commonly used to implement associative arrays).
Quoting from the abstract of a paper describing Astrometry.net:
After robust source detection is performed in the input image, asterisms (sets of four or five stars) are geometrically hashed and compared to pre-indexed hashes to generate hypotheses about the astrometric calibration. A hypothesis is only accepted as true if it passes a Bayesian decision theory test against a null hypothesis.
So, in short, it computes a hash of groups of stars in the image, then goes to the place where those hashes lie in the all-sky index, and looks in the neighbourhood for the best matches (since there is noise, positions and hash values will never exactly match). When one is found, it is tested with Bayesian statistics, comparing the positions of the neighbouring stars in the catalog to what else is found in the image.
Below is an example of a (downsampled) raw image taken that night, which Astrometry.net identified (it also produced this plot). The red circles mark the sources in my image, the green ones are those in the catalogs, and the green polygon is the quad that provided the hash for the match (see the paper cited above for a better explanation). As it turned out, the star was ~2 arcmin outside the images at the position the telescope had pointed to, and we only got it because of the images we made spanning the surrounding region. T Pyx is the second brightest star in the image, and is just outside the quad.
Why did I tell this long story? To show an example of good software, which will be very important in many applications. It is apparently the result of computer scientists collaborating with astronomers. I copy here the author list of that paper:
Dustin Lang (1, 2), David W. Hogg (3, 4), Keir Mierle (1, 5), Michael Blanton (3), Sam Roweis (1, 5, 6) ((1) Department of Computer Science, University of Toronto, (2) Princeton University Observatory, (3) Center for Cosmology & Particle Physics, New York University, (4) Max-Planck-Institut für Astronomie, (5) Google Inc., (6) Computer Science Department, New York University)
Iniciando uma nova categoria para tornar explícito o maior problema comum que vejo por aí: “O que estão pensando?” Que com freqüência poderia ser “Estavam mesmo pensando?” ou “Estavam acordados / sóbrios?”.
Como eu já estava notando antes, o IG parece sistemático no preconceito contra mulheres, justamente na seção Delas do site. Estas são matérias recentes da seção Delas (que é a seção do site onde fica o horóscopo), e sobre algumas delas eu já havia comentado:
- A astrologia pode ajudar a encontrar a melhor data para a cerimônia de casamento
- Astrólogos desmentem novo horóscopo e tratam caso como provocação
- O horóscopo não mudou
- Mapa astral da criança ajuda pais a lidar com os filhos
- Ácido fólico pode não ajudar a evitar parto prematuro
No caso da última, que me levou a começar este artigo, o título sozinho não mostra o problema: há vários erros graves no conteúdo. Ainda mais graves do que no caso de notícias de astronomia, por exemplo, porque estas podem influenciar o comportamento das pessoas quanto a decisões importantes para sua saúde (e, neste caso, de seus filhos). E mais grave que as matérias dando crédito a charlatões (astrólogos) e estimulando pais a abusar dos filhos com eles.
Quais são os problemas com a matéria do ácido fólico? O mais óbvio é o mesmo texto falar em 400 microgramas, 250 gramas e 400 miligramas. Alguém acha que se vai beber um copo (250 gramas) de ácido fólico puro por dia? Os únicos números que fazem sentido são centenas de microgramas por dia. Além disso, há uma grande diferença entre microgramas de folato dietário ou de suplemento de ácido fólico (um fator de 0.6 entre as duas quantidades). Uma referência de verdade, do NIH, é
http://ods.od.nih.gov/factsheets/folate/
Além disso, o tom geral da matéria (e do título, para quem só o leu na página principal e não chegou a ler o texto) dá a idéia que é irrelevante se preocupar com ácido fólico. Este estudo se trata só de sua correlação com nascimentos prematuros. Mas (o que é mencionado apenas marginalmente no texto) o ácido fólico é conhecido como necessário para evitar muitos problemas de má-formação fetal. O mais crítico é seu efeito para evitar defeitos do tubo neural (incluindo anencefalia). Crítico especialmente porque o período mais relevante é as primeiras 4 semanas, ou seja, quando se descobre estar grávida já se passou boa parte deste período. Parece ser esse o motivo para a FDA estabelecer adições mínimas de ácido fólico a alguns alimentos, embora pareça ser ainda pouco para atingir o nível recomendado diário (doi:10.1016/S0140-6736(97)07247-4). A importância do consumo mínimo parece tão bem estabelecida que os autores deste artigo do The Lancet dizem que seria antiético testar doses menores.
Além dos problemas nos textos, como me indicaram, e eu confirmei, o IG parece suprimir críticas. Muitas matérias permitem que se mande comentários ou correções. Eles dizem
“Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o IG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!”
Mas aparentemente eles usam isso para ignorar o que não gostam (ou seria ignorar tudo?). Eu já mandei comentários criticando uma das matérias acima, e sei não ter sido o único, mas a página continua dizendo “Nenhum comentário. Seja o primeiro.“. Meio difícil ser o primeiro desta forma. Será que quer dizer “Seja o primeiro a nos elogiar”?
Está o IG sistematicamente atacando as mulheres? Algumas coisas parecem preconceito, como colocar nesta seção os textos que dão a astrologia como fato. Mas, considerando as coisas que aparecem em outras seções do site, como (algumas já comentadas aqui):
(65% é significativamente diferente de 68%? procurar menor preço é “adorar liquidação”?)
(porta-aviões levando ônibus espacial? Mir em 2006?)
(amostras muito pequenas, feitas pelo próprio IG; depois de citar que um aluno respondeu “Os dois textos é opinativo”, o autor diz “e das pesquisa que devem ser realizadas”)
Parece que na maioria pode se tratar só de ocorrências de uma sistemática falta de qualidade no site. Se ninguém pensa no que escreve nas outras seções, por que esperar algo diferente na seção Delas?
Em raras ocasiões, o IG mostra que consegue colocar algo decente, como no caso de uma notícia recente sobre planetas extrassolares. Então por que não pensar direito na maioria dos casos? Por que insistir em defender astrologia? Por que censurar críticas? Por que não ser responsável em matérias sobre saúde?
Há alternativas para Belo Monte?
Nas muitas discussões atuais sobre a construção da usina de Belo Monte, há muitos dizendo que há “alternativas melhores”. Pois bem, alguém diz, concretamente, que alternativas?
Como exemplo, o Instituto Socioambiental tem um texto especificamente sobre alternativas:
Energias alternativas para o Brasil
Que é de nula confiabilidade, por estar errado em quase todos os números que apresenta. Começando pelo mais bizarro:
“A primeira delas está relacionada às perdas técnicas do Sistema Elétrico Brasileiro, atualmente em torno de 15% ou 54 milhões de MW/h. Isso inclui desde a eletricidade gerada pelas usinas hidrelétricas, passando pelas linhas de transmissão, até chegar ao consumidor final. Ele sugere que o Brasil adote o padrão internacional – índice de 6% perdas, o que representaria um acréscimo de 33 milhões de MW/h. Isso equivale ao que produz uma usina hidrelétrica de 6.500 MW de potência instalada durante um ano.”
- Que sentido tem MW/h? É uma taxa de variação de potência. Serviria para medir, por exemplo a taxa de aumento no consumo, ou a taxa de criação de nova capacidade por construção de usinas. Vejo sentido nenhum para medir perdas. 15% de quê, aliás? Do consumo atual? Consumo é potência. Se queriam dizer MWh (megawatt x hora), também não teria sentido, porque MWh é unidade de energia, não de potência.
- Fica pior quando tentam dizer quanto uma usina de 6.5 GW produz em um ano. É, simplesmente, 6.5 GW x 1 ano. Basta digitar no Google “6.5gigawatt*1year in megawatt*hour”, que ele calcula, com todas as unidades corretas, que uma usina de 6.5 GW produz aproximadamente 57 milhões de MWh durante um ano.
- Por que assumir que o nível internacional de perda seria um alvo adequado para o Brasil? O nível de perda depende muito da distância percorrida. Em países onde predomine a produção por termoelétricas (o mais comum no mundo) as usinas podem ficar relativamente próximas aos centros de consumo. Hidroelétricas tipicamente ficam mais longe, então países como o Brasil, que concentram a produção em grandes usinas, têm uma tendência a perdas maiores. Não dá para levar a usina de Itaipu para perto da cidade de São Paulo.
- Qual é a fonte dos números, como os percentuais de perda? Segundo a EIA, do Departamento de Energia Americano, nos EUA, só para distribuição e transmissão (sem contar geração, que o texto inclui), foi perdido 6.14% em 2008.
- Se der mesmo para recuperar 9% de perdas (onde? em quanto tempo? a que custo? interrompendo o fornecimento?), seria 8.5 GW (a carga média do SNI em 2010, segundo o boletim do ONS, foi 57.6 GW, um aumento de 4.4 GW para 2009). Já a potência máxima de Belo Monte seria (segundo o detalhado texto da Eletrobrás, que entre outras coisas mostra como é bem conhecida a variabilidade histórica do rio, algo que parece ter sido ignorado pelos governos que levaram à crise de 2001-2002) é 11.2 GW, com um ganho firme de 4.8 GW.
Ainda falando em perdas: O Brasil tem grandes linhas de corrente contínua, que são mais complicadas, por exigir conversão nos dois lados, mas são mais eficientes para grandes distâncias:
- Desde 1987 há as duas linhas de Itaipu a SP, com ~800 km, e que têm o recorde mundial de ±600 kV (e quanto maior a voltagem menor é a perda).
- Está sendo construída a maior linha de transmissão do mundo, de 2500 km, para ir das novas usinas Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, a SP, levando 3.15 GW dos 6.45 GW que estas usinas vão produzir.
Os problemas não acabam aí:
O texto também diz, sem fontes:
“63% do potencial hidrelétrico do Brasil, estimado em 260 mil MW, está concentrado na Amazônia e boa parte deste percentual no Pará”
Segundo o mesmo estudo da Eletrobrás, de fato são 260 GW de potencial, mas só 50.2% nas bacias do Amazonas e Tocantins.
O texto também diz, de um fórum de 2002, que o governo federal deveria
“…priorizar o atendimento dos 20 milhões de brasileiros que não têm acesso a energia…”
O que parece estar muito desatualizado. Segundo o informativo de dezembro de 2010 do Programa Luz Para Todos (criado em novembro de 2003), este já levou energia a 13 milhões de pessoas, e o número de ligações deve aumentar 12% em 2011. Me parece que já foi priorizado.
Este texto ainda remove muitas alternativas. Cita como necessário:
“#uma revisão da intenção do aproveitamento do potencial hidrelétrico brasileiro, que permita a participação social no processo decisório, em especial das populações atingidas;
# uma moratória ao Programa Nuclear Brasileiro, desde a mineração do urânio até a geração nuclear, e a solução do problema da destinação final dos resíduos radioativos gerados e ora estocados provisoriamente;
# a realização de auditorias nas instalações energéticas que têm gerado passivos sociais e ambientais (petróleo, carvão mineral, ciclo nuclear, usinas termoelétricas e hidrelétricas);
#a implementação de um programa de aproveitamento do imenso potencial das energias solar, eólica e de biomassa.”
No mundo todo, só hidroelétricas atingem capacidades tão grandes como Belo Monte (que em capacidade máxima será a 3ª do mundo, atrás só de 3 Gargantas (China) e Itaipu; a atual 4ª maior é a de Tucuruí, com 8.4 GW, no rio Tocantins). Com o que gerar 11 GW então? Segundo a Wikipedia, as maiores usinas, por categoria, são
- Hidroelétrica: 3 Gargantas (China): 18.2 GW.
- Nuclear: Kashiwazaki-Kariwa (Japão): 8.2 GW
- Carvão: Taichung (Taiwan): 5.8 GW
- Óleo: Surgut-2 (Rússia); 4.8 GW
- Gás: Kawagoe (Japão): 4.8 GW
- Xisto betuminoso: Eesti (Estônia): 1.6 GW
- Turfa: Shatura (Rússia): 1 GW
- Eólica: Roscoe (EUA): 0.78 GW
- Geotérmica: Cerro Prieto (México): 0.72 GW
- Biocombustíveis: Alholmens Kraft (Finlândia): 0.265 GW
- Marés: Rance (França): 0.24 GW
- Solar: Solnova (Espanha): 0.15 GW
Só se alcança a escala de Belo Monte com hidroelétricas, nucleares, carvão, óleo ou gás. Carvão, óleo e gás, além de gerar poluição, precisam de quantidades enormes destes combustíveis. Para vir de onde?
Nucleares gastam quase nada de combustível, há urânio no Brasil (mas, importante notar, ainda não todo o processamento para produzir o combustível), e não geram poluição. Mas onde está a tecnologia e o dinheiro para isso? A usina mencionada acima, de 8.8 GW é um caso excepcional, em um país onde tecnologia e dinheiro não são escassos como seus recursos naturais, e por isso tem 4 das 5 maiores nucleares do mundo. Quando Angra 3 ficar pronta, as 3 combinadas gerarão 3.4 GW. De onde tirar várias outras (3.4 vezes Angra 3, só para chegar ao ganho firme de Belo Monte; 8 vezes para a capacidade máxima)? E segundo a Eletronuclear, a retomada de Angra 3 (já depois de 30% de progresso físico anterior) custará R$ 8.56 bilhões. Os custos que costumam ser citados para Belo Monte são em torno de R$ 19 bilhões.
Então que alternativa existe de verdade? Ainda não encontrei. E continuo procurando.
Há vários motivos para ter me chamado a atenção esta notícia, reencaminhada por várias fontes, desde o original no Brasil Autogestionário:
Juiz machista é exonerado por assédio sexual
Primeiro, me chamou a atenção por algo desta importância não ter sido visível o suficiente na mídia para que eu tivesse notado antes, mesmo olhando algumas vezes por dia vários sites de notícias.
Os outros motivos são, obviamente, vindos da gravidade do que ele fez quando juiz. Ele é uma grande demonstração da necessidade da lei que ele se recusou a aplicar, e é um alívio que finalmente tenha sido punido.
Um dos vários motivos para esta e outras leis contra preconceitos serem necessárias é mostrar aos outros com os mesmos preconceitos que este comportamento não será aceito. Quem comete estes crimes em geral pratica a discriminação sem hesitar e sem sentir culpa, e vai o repetir se houver oportunidade. Os mais consistentes (os mais íntegros às suas idéias, por estranho que possa parecer usar a palavra “íntegro”) não escondem o que fizeram; pelo contrário, fazem propaganda. Como este ex-juiz fez no que escrevia em suas sentenças e em sites de Direito. Os que escondem o que fizeram em geral estão apenas tentando evitar punição, porque ainda acham que fizeram nada errado.
Isso é mais grave ainda neste caso, por ser um juiz, e por parte da propaganda estar em suas sentenças, que dão aos acusados que ele julgou a certeza de que nada de mal fizeram. Estão dando a todos a aprovação oficial para aquele comportamento. E ainda ataca novamente as vítimas, ao dizer a elas que estavam erradas em reclamar, e que podem esperar que o mesmo aconteça novamente.
Me espanta também que ele só tenha sido punido depois de ter feito tanto. Os que se recusam a aplicar a Lei Maria da Penha (ou outras semelhantes) não estão eles próprios cometendo um crime que a lei tenta evitar?
Isso ainda mostra o problema de autonomia exagerada dada a pessoas em algumas posições: Como juízes e outros (como agentes de imigração) podem ter tanto poder para decidir arbitrariamente fazer a loucura que quiserem, até mesmo contra leis e outras normas? De que adiantam as discussões e o esforço em definir leis adequadas no legislativo se o judiciário pode as ignorar?
O caso de juízes é provavelmente o mais grave, já que suas decisões vêm depois de argumentos e bastante chance para uma deliberação cuidadosa. E são pessoas que estudaram especificamente para aprender a tomar estas decisões, para aprender as leis e a segui-las. Não dá para eles alegarem que foi algo mal pensado, ou decidido com base em poucas informações.
É deprimente ver que coisas assim tenham acontecido. O consolo é que nesse caso tenha havido punição. Que ela seja bem divulgada, para mostrar aos outros que estes crimes acontecem, e que são de fato crimes. Com alguns isso serve para educar, mostrando o que não é aceitável. Com os que não são alcançados pela educação, talvez sirva pelo menos para que não cometam estes crimes por medo da punição.
Um apagão de informação na imprensa
Apenas mal escrita ou deliberadamente enganosa?
Apagões graves quase duplicam em dois anos
Esta matéria da Folha começa dizendo
“O número de apagões graves, como o que acaba de atingir sete Estados do Nordeste, quase dobrou nos últimos dois anos, segundo o ONS”
E ainda atribui a conclusão ao ONS, lhe dando uma confiabilidade não justificada pelo apresentado no texto. Talvez até venha da fonte que usaram, do ONS, mas isso não é mostrado. Qual é o problema em dar os links para o material que usaram? Nunca ouviram falar em referências?
Eu imediatamente estranhei os títulos da matéria (o título na página principal do site raramente é o mesmo do texto), por apagões desta escala serem tão raros. Se ocorrem da ordem de uma vez por ano, ou menos, como dizer que quase dobram em dois anos?
Adiante, o texto esclarece que o número do título se refere a desligamentos superiores a 100MW. Mas como dizer que 100MW é grave como o desta semana? Ainda é cedo para ver o número no site do ONS (os boletins são semanais), e os números que encontrei, além de em geral serem de população, são variados: 33 milhões nesta notícia da Folha, “47 milhões” (depois dizendo 47.7; não conhecem arredondamento?) no O Globo, , 46 milhões no Estado, 53 milhões na Wikipedia, só 13.5 milhões no IG. O único número que encontrei de potência estava no Estado: 8GW. O boletim de carga de dezembro de 2010 do ONS informa uma potência total de 58GW no SNI. Usando uma média pela população do pais (191 milhões, pelo último censo), uma população de 40 milhões corresponderia a algo da ordem de 12 GW. Não é uma estimativa muito boa, porque o consumo médio por pessoa pode ser bem diferente do consumo da região afetada, em especial pela variação na concentração do uso industrial.
De qualquer forma, como dizer que apagões de 100MW são graves como um da ordem de 8GW? Eu não consegui encontrar uma lista de todos os grandes apagões recentes. Os únicos desta escala de que me lembro foram os de 2009 e 1999. A maior lista que encontrei é do O Globo, sem números que indiquem o tamanho de cada, e sem citar fonte. Teria sido de uma busca nos arquivos do jornal? Então perderam o apagão de 2007.
Eu não encontrei no site do ONS uma lista com os números destas quedas pequenas, a partir de 100MW. O mais próximo foi uma página com gráficos quase impossíveis de ler, que só vai até 2009. O uso de gráficos quase inúteis pela resolução lembra alguns da Sabesp, que ela tentou usar para explicar o que fez com a vazão de uma represa. Algo mais de estranho no site do ONS é dizer que “O montante de 100MW corresponde à carga de uma cidade do porte de Farroupilha, no Rio Grande do Sul, ou de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.”: Citam como referências para o mesmo nível de consumo uma cidade de 64 mil habitantes e uma de 795 mil (censo 2010).
Talvez a versão não resumida (só disponível para assinantes) da notícia da Folha seja menos ruim que esta do site. Que ainda ao tentar dar alguma interpretação dá uma frase que pode significar quase qualquer coisa: “Especialistas atribuem o aumento à falta de investimentos e ao clima adverso.”:
- Que especialistas? Que sabem do que estão falando? Com base em que dados?
- Investimento em quê? Linhas de transmissão, monitoramento, sistemas de controle, manutenção?
- Que clima adverso? Um tornado destruiu algo? Raios? Um evento só ou vários recentes? Atividade solar? (por acaso esta eu sei que não). Algo esperado que ocorra eventualmente, para o qual se aceita que provoque interrupção, por ser de muita raridade?
A lista de apagões do O Globo, aliás, comete o erro freqüente de confundir apagões com o racionamento de energia: “O blecaute culminou no racionamento de energia de 2001 e 2002.”. Em várias outras notícias ainda havia comparações, ou afirmações de que não se trata da mesma coisa. Nem há o que comparar: apagão é uma interrupção no fornecimento, como o desta semana. A crise de 2001-2002 não foi apagão. Foi racionamento, para diminuir o consumo o suficiente para que a capacidade de geração armazenada fosse suficiente para suprir o consumo durante o período. Se o racionamento não tivesse sido suficiente, apagões deliberados teriam sido feitos, a única solução imediata quando não há capacidade de gerar o que o país tenta consumir no momento. Não houve corte de energia, mas foi uma crise muito mais grave do que um grande apagão, que só dura algumas horas.
Aliás, é comum que a crise de 2001-2001 seja atribuída à falta de chuvas. Não foi esta a causa. Antes de se construir qualquer hidrelétrica, há medidas históricas da variabilidade do fluxo do rio. Sabe-se previamente em que freqüência a usina terá que operar a uma capacidade mais baixa, por ser um ano de pouca chuva. Isso foi ignorado pelo(s) governo(s), achando que o crescimento no consumo poderia ser atendido só aumentando o uso das hidrelétricas. Se me lembro corretamente, é notável que uma crise desta importância tenha passado completamente não mencionada no livro de memórias de FHC.
A variação nos números de população afetada também me chamou a atenção. De onde tiraram estas estimativas? Alguém estaria só tomando as populações dos estados, sem saber que fração foi afetada? Segundo o censo de 2010, os 7 estados citados pela Chesf somam 43 milhões de pessoas. Com o Piauí, às vezes mencionado, o total é 46.5 milhões, e com o Maranhão (completando todo o NE), o total é 53 milhões.
Finalmente, vou mencionar uma notícia diferente do usual, porque fala do fato de que alguns apagões raros podem ser aceitáveis, porque o custo de os tornar “impossíveis” é inviável. Esta é do Estado:
Apagão não poderia ter sido evitado, diz professor
Como não sou da área, não sei se é uma avaliação correta deste caso específico. Mas as notícias tendem a esquecer o princípio geral de que é muito difícil (caro) fazer sistemas que nunca falhem, e por isso é aceita uma certa freqüência (baixa, obviamente) de falhas, desde que estas sejam consertadas rapidamente quando ocorrerem.
Na semana passada, o artigo na Nature sobre os resultados das observações de galáxias mais distantes gerou notícias com sérios problemas no IG e na Folha. Já o artigo que gerou a capa da Nature desta semana gerou uma notícia muito melhor no IG:
Sonda espacial descobre mini-sistema planetário com seis planetas
E os sérios problemas típicos na notícia do O Globo. Que diz no site principal:
Uma infinidade de possíveis planetas
Telescópio da Nasa descobre mais de mil fora do Sistema Solar
A notícia do IG parece ter sido de fato escrita para ele (por um autor “de verdade”, um Alessandro Greco), ao contrário da notícia do O Globo, que parece ter sido a cópia de sempre de agências de notícias (“O Globo com agências internacionais“). O do IG tem um conteúdo decente, bem informado do que foi publicado no artigo acadêmico
A closely packed system of low-mass, low-density planets transiting Kepler-11
e nas 3 matérias da mesma edição sobre o assunto (estas publicamente disponíveis):
Astronomy: Exoplanets on the cheap
Ao contrário do muito curto, errado e desorientado texto do O Globo, o texto do IG informa bem o ponto principal do artigo:
“A descoberta de mais um não seria novidade não fosse pelo fato desta vez a sonda espacial Kepler, lançada pela Nasa em 2009, ter achado um sistema solar singular com seis planetas orbitando em torno dele.”
E continua explicando de forma bastante acessível o que foi feito, a sua relevância e o contexto. Só notei nele problemas de escrita (gramática e semântica), que a edição da Nature é do dia 3, não do dia 2, e estranhei o título: por que “mini”? Eu não conheço critério para dizer que um sistema de 6 planetas seja mini. Pelo contrário, a notícia chama a atenção por serem tantos.
As citações de um dos autores (Jonathan Fortney, contemporâneo meu no doutorado no LPL) parecem corretas e informativas. Ao contrário da citação feita pelo O Globo, que nada informa e não faz sentido, sugerindo tradução errada:
“- Enquanto Kepler não encontra planetas do mesmo tamanho da Terra, todos os resultados apontam para a direção certa – disse o astrônomo Jonathan Fortney, da Universidade de Santa Cruz.”
E ainda inventa uma universidade. Ele é da Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, como escrito corretamente no artigo do IG.
Este é um caso interessante, porque enquanto a notícia do O Globo segue o deprimente padrão comum de problemas sérios, a do IG mostra que eles têm como fazer notícias adequadas.
Finalmente, um comentário sobre o artigo acadêmico, de algo fácil de passar desapercebido: o artigo foi submetido em 13 de dezembro, e aceito em 20 de dezembro. É uma aprovação extremamente rápida. O artigo da notícia que mencionei antes é bem mais típico: mesmo sendo só uma carta, e não ganhando a capa da revista, levou mais de 11 meses para ser aceito.
O preconceito da ignorância no IG
Outra matéria fantasiosa do IG reafirma o preconceito sugerido por outras anteriores que já citei aqui:
A astrologia pode ajudar a encontrar a melhor data para a cerimônia de casamento
O problema mais óbvio é tratar Astrologia como fato. O que vai dizer a próxima notícia ou coluna? Que as pessoas devem parar de fazer dança da chuva, para evitar os problemas que têm ocorrido em São Paulo e na região serrana do Rio?
O problema menos óbvio está em onde estão postadas esta e as duas matérias que citei antes:
Astrólogos desmentem novo horóscopo e tratam caso como provocação
e
Indo a estas 3 matérias, pode-se notar que todas estão na seção “Delas – O site da mulher: sexo, beleza, saúde, filhos – iG”. Ou seja, estão associando a mulheres tomar como fato o que é fantasia completa. Muito preconceituoso.
Por último, vou apenas notar que a matéria sobre datas de casamento nem consegue ser auto consistente. Se contradiz várias vezes. Para tomar só um exemplo, o contraste entre o subtítulo e a última frase do texto:
“A astrologia pode ajudar a encontrar a melhor data para o casamento. Saiba quais configurações evitar”
e
““Se for para dar certo, o casal escolherá a data boa naturalmente. Se não for, não tem astrologia que ajude”, finaliza Monica.”


